Homenagem da SOPERJ ao Dr. Paulo Roberto Mafra Boechat (1943- 2026).
Partiu o Paulo, e a SOPERJ não poderia escrever uma nota biográfica descrevendo sua trajetória na medicina relatando que se formou pela UFF em 1967, fazendo residência em cirurgia pediátrica no Instituto Fernandes Figueira e no Jackson Memorial, de Miami. Não seria o Paulo.
Paulo era muito mais do que sua formação brilhante e das suas incríveis competências cirúrgicas. Era a vibração em pessoa. Energia pura voltada para um SUS de qualidade. Sua aspiração era a de transformar o Fernandes Figueira em um hospital tão bom quanto os melhores privados. E conseguiu!
Paulo assumiu a direção do IFF, como diretor eleito, em 1985, e reeleito em 1990, permanecendo na direção até 1993. Há um IFF antes do Paulo e outro depois da sua passagem pela direção. Hoje, se falamos com naturalidade e orgulho do Banco de Leite Humano, da UTI Neonatal, da Neurocirurgia, da Unidade de Pacientes Graves (UPG), de uma Ginecologia e Obstetrícia para atender à Política de Atenção Integral à Saúde das Mulheres, o mestrado e o doutorado, em tudo temos as digitais do Paulo.
Paulo era mais do que essas realizações. Era a assistência de excelência ao paciente. Tudo que fez e fazia era voltado à atividade fim da medicina: cuidar de gente. Paulo não fazia nada pelo prestígio pessoal, por almejar cargos políticos, por exercício de poder. Fazia por convicção inabalável de que as pessoas mereciam um atendimento de excelência e isso não era discurso, era prática cotidiana. Paulo operava e fazia visitas no IFF, nos finais de semana. Durante greves de residentes, Paulo ligava para outros serviços dizendo que podiam encaminhar os casos mais graves para o IFF que ele os operaria e ainda se divertia, informando aos residentes que cirurgia iria fazer e que eles não poderiam nem entrar para assistir.
Paulo não era só um médico, cirurgião brilhante. Era um amigo leal, generoso, derretido sob uma máscara de bravo. E como era bom contador de histórias. Não havia rodinha que se formasse e onde ele estivesse, que não teria uma boa história para contar. Não raro as histórias se passavam em Itaperuna, onde ele nasceu e que colocava no mesmo nível de Londres, Paris ou Nova York. Se alguém contasse sobre determinada moda europeia, Paulo falava de um alfaiate de Itaperuna que era um espetáculo. Se o Paulo tivesse sido um escritor, Itaperuna seria sua Macondo!
Nesse momento de grande tristeza que todos sentimos com a perda irreparável do insubstituível Paulo Roberto, a SOPERJ também quer manter viva a memória dos seus feitos, do seu estilo e jeito de ser e fazer. A quem o Paulo tocou e modificou.
A SOPERJ abraça carinhosamente a família do Paulo Roberto.
Prof. Roberto Cooper, membro do corpo editorial do PediNews da SOPERJ.

