Proteção contra a bronquiolite pelo VSR no SUS

O ano de 2025 terminou com uma ação de saúde fundamental: a disponibilização da vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório, principal causador da bronquiolite nos menores de dois anos) para gestantes, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde dezembro, gestantes a partir da 28ª semana de gravidez já podem receber a vacina gratuitamente nos postos de saúde. Agora, em fevereiro, é a vez do anticorpo monoclonal (Nirsevimabe), também pelo SUS, para prematuros e grupos de risco específicos.

O Departamento de Imunizações da SOPERJ, presidido pela Dra. Isabella Ballalai, esclarece sobre o tema, as estratégias de prevenção no lactente e quais crianças terão acesso ao Nirsevimabe na rede pública.

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

O VSR combina alto risco individual em prematuros com alto impacto populacional em bebês a termo e crianças menores de dois anos, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção amplas, e não restritas apenas aos grupos tradicionalmente considerados de maior risco.

Simplificando, bebês prematuros têm um risco muito maior de hospitalização por VSR: cerca de 1 em cada 600 entre os prematuros extremos e 1 em cada 800 entre os prematuros moderados, quase o dobro do risco observado em bebês a termo.

A maioria das hospitalizações por VSR ocorre muito cedo, com mais da metade nos primeiros dois meses de vida e quase dois terços até os três meses, evidenciando uma janela crítica de vulnerabilidade logo após o nascimento.

Daí a importância da vacinação da gestante: protege o bebê do nascimento aos seis meses de idade.

No entanto, o vírus segue como uma das principais causas de hospitalização por infecção respiratória em crianças menores de dois anos e, principalmente, aquelas consideradas de alto risco também podem precisar do Nirsevimabe.

Nirsevimabe: o Anticorpo monoclonal

Prevenir é sempre melhor do que remediar. Além da vacinação das gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma outra estratégia para proteger os bebês da bronquiolite, desde o nascimento, é o anticorpo monoclonal Nirsevimabe.

São duas estratégias para a prevenção das infecções pelo VSR no lactente:

  1. Vacinação da gestante
  2. Administração do anticorpo monoclonal (nirsevimabe), a partir do nascimento, o mais precocemente possível, e até os dois anos, especialmente para grupos de risco:

– Prematuridade <37 semanas

– Cardiopatia congênita

– Broncodisplasia

– Imunocomprometidos

– Sìndrome de Down

– Fibrose cística

– Doença neuromuscular

– Anomalias congênitas vias aéreas

Embora ambas sejam eficazes, em alguns casos, as duas estratégias combinadas devem ser consideradas em:

  • Gestante imunodeprimida
  • Gestante vacinada há menos de 14 dias do parto
  • Grupos de especial risco

O Departamento esclarece que terão acesso ao Nirsevimabe bebês prematuros com idade gestacional  <37 semanas e grupos de risco até os dois anos de idade com as comorbidades abaixo que não receberam Palivizumabe até setembro de 2025, com:

  • doença cardíaca congênita com repercussão hemodinâmica
  • broncodisplasia
  • condição de imunocomprometimento
  • síndrome de Down
  • fibrose cística
  • doença neuromuscular e anomalias congênitas de vias aéreas

É importante ressaltar que o Palivizumabe ainda será recomendado pelo SUS em 2026 para crianças que receberam Palivizumabe em 2025:

  • Prematuros nascidos com idade gestacional ≤ 28 semanas (até 28 semanas e 6 dias) com idade inferior a um ano (até 11 meses e 29 dias)
  • Crianças com idade inferior a 24 meses (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) incluídas nos grupos de risco definidos no protocolo do Ministério da Saúde.

A SOPERJ reforça que a imunização é a estratégia mais eficaz de prevenção, protegendo o bebê desde o nascimento, e reduzindo os riscos.

As principais recomendações sobre imunização podem ser conferidas no Calendário de Vacinação da SBP, no site da Sociedade, ou no link abaixo.

Calendário de Vacinação da SBP 2025-2026

Consultoria Dra. Isabella Ballalai – presidente do Departamento Científico de Imunização da SOPERJ