A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), recentemente, fez um alerta sobre o uso de corticoides na infância. Em nota técnica, a Sociedade reforçou os riscos e destacou que o objetivo do documento é apresentar as diretrizes, os efeitos adversos oculares e as recomendações para o manejo e a prevenção das complicações.
O documento aborda tópicos como patogenia, fatores de risco, relacionados ao paciente, aos corticoides ou à doença-base, manifestações clínicas, monitorização e manejo.
Segundo a entidade, os corticoides, hormônios esteroides produzidos naturalmente pelo córtex adrenal e seus análogos sintéticos, são muito utilizados na prática clínica e indicados no tratamento de diversas condições inflamatórias, alérgicas, autoimunes e neoplasias. No entanto, eles não são isentos de riscos, especialmente em crianças e adolescentes.
Entre os principais problemas de saúde que podem surgir, seja pelo uso tópico ou sistêmico, estão: a hipertensão ocular, o glaucoma induzido por corticoide e a formação de catarata. Essas complicações se não forem identificadas e tratadas precocemente podem comprometer a visão da criança, levando à cegueira.
Principais recomendações:
- Utilizar corticoides na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
- Priorizar tratamentos de curta duração e, quando necessário, usá-los como ponte para terapias poupadoras de corticoide.
- Sempre que possível, optar por terapias alternativas, como imunomoduladores tópicos ou sistêmicos, especialmente em doenças inflamatórias crônicas.
- Em casos selecionados, considerar anti-inflamatórios não esteroidais tópicos como alternativa ou adjuvantes aos corticoides.
- Quando o uso de corticoides for indispensável, preferir medicamentos de menor potência e menor penetração ocular.
- Controlar rigorosamente a frequência e a duração do tratamento, reduzindo o risco de hipertensão ocular e catarata.
- Em tratamentos prolongados, considerar precocemente terapias poupadoras de corticoide para reduzir ou suspender o uso tópico.
- Garantir acompanhamento oftalmológico regular em todas as crianças em uso de corticoides, independentemente da via de administração.
- Realizar monitorização periódica da pressão intraocular (PIO), especialmente quando o tratamento durar mais de duas semanas.
- Após a suspensão do corticoide em casos de hipertensão ocular, reavaliar a PIO a cada duas semanas até sua normalização.
- Intensificar o acompanhamento em crianças com maior risco, como aquelas com glaucoma prévio, história familiar de glaucoma ou hipertensão ocular induzida por corticoides.
A SBOP reforça ainda a importância da orientação aos pais e pacientes, especialmente sobre o uso supervisionado e o acompanhamento regular, e da necessidade de um controle mais rigoroso sobre a dispensação do medicamento, evitando o uso sem prescrição médica. O Brasil é um dos poucos países no qual a comercialização é livre.
Link para nota técnica:
Recomendações para a correção óptica na infância e adolescência – Uso de corticoides

