Em comemoração ao mês do Pediatra, a SOPERJ promoveu a live “O Pediatra na Rede de Atenção de Alta Complexidade”, reunindo a presidente da Sociedade, Profa. Dra. Anna Tereza M. Soares de Moura, a Dra. Fernanda Daniel Fialho, da Secretaria de Estado de Saúde, e a Dra. Nathalia Veiga Moliterno, diretora de Cursos e Eventos da SOPERJ.
O objetivo da atividade foi trazer a reflexão sobre a importância do pediatra nos diferentes níveis de atenção à saúde da criança, em especial na rede de alta complexidade, onde existe carência expressiva de nossa especialidade.
A ideia foi reforçar que o pediatra é fundamental para garantir um cuidado integral, seguro e de qualidade, organizando a linha de cuidado desde a atenção primária até os serviços de alta complexidade.
Um dos principais temas debatidos foi a formação médica e a necessidade de reconhecer que a pediatria é uma das grandes áreas de conhecimento do generalista e, como tal, necessita de maior protagonismo.
O atendimento pediátrico exige conhecimentos específicos sobre crescimento e desenvolvimento, fisiologia, farmacologia, comunicação com a família e reconhecimento precoce da gravidade. São inúmeras as evidências sobre a mudança do perfil de morbimortalidade infantil, além da detecção precoce de agravos crônicos e complexos para melhor qualidade de vida.
Nesse contexto, discutiu-se a ampliação da residência médica em Pediatria para três anos, implantada nacionalmente a partir de 2019. A medida representa um importante avanço na qualidade da formação, mas também tornou mais longo o percurso até a formação de novos pediatras e, principalmente, de subespecialistas.
O cenário é preocupante: mesmo programas de excelência têm enfrentado dificuldade para preencher vagas de residência, evidenciando a necessidade de maior valorização da Pediatria como carreira e perspectivas mais atraentes para o desenvolvimento profissional, vínculos de trabalho e retenção na rede de saúde.
A profunda transformação do perfil de pacientes nas últimas décadas mobiliza vem mobilizando os pediatras. Os avanços da neonatologia, da terapia intensiva, da genética e das novas tecnologias permitiram a sobrevida de recém-nascidos extremamente prematuros e de crianças com doenças até então incompatíveis com a vida.
Ao mesmo tempo, a ampliação do acesso aos testes diagnósticos e o maior reconhecimento das doenças raras trazem desafios, com linhas de cuidado multidisciplinares.
Hoje, a rede de atenção precisa estar preparada para acolher crianças com condições crônicas, complexas e de alta dependência tecnológica, oferecendo assistência contínua às famílias e articulando os diferentes níveis de cuidado.
Esse novo cenário reforça a necessidade de especialistas nas diversas especialidades, além de centros de referência capazes de coordenar o cuidado e apoiar toda a rede assistencial.
O debate sobre a valorização da Pediatria permeou toda a atividade e precisa caminhar junto ao fortalecimento da formação em serviço.
As participantes reconheceram que a realidade brasileira ainda impõe desafios relacionados à disponibilidade de especialistas em todas as regiões do nosso Estado e níveis de atenção.
Defender a qualidade da assistência significa investir simultaneamente na formação de novos pediatras, na educação permanente, na criação de planos de carreira e no fortalecimento dos serviços de referência, permitindo que pediatras gerais sejam continuamente capacitados e apoiados por equipes especializadas.
A principal mensagem do encontro revela que a valorização do pediatra vai além de seu reconhecimento como especialidade, investir na saúde das crianças e dos adolescentes significa fortalecer a sociedade, e olhar para o futuro.
