Estudo: segurança da vacina contra Covid-19 em imunossuprimidos

Um estudo brasileiro, publicado na Pediatric Research, mostrou a segurança e a resposta imunológica à vacina BNT162b2 (Pfizer-BioNTech), contra a Covid-19, em adolescentes com doenças inflamatórias imunomediadas, reforçando a importância da imunização nesse grupo. A pesquisa teve como coautores de dois membros da Diretoria Executiva da SOPERJ, Dr. Leonardo Campos, diretor de publicações, e Dra. Katia Lino, segunda secretária.

De acordo com o Dr. Leonardo, o trabalho faz parte do SAFER-Study, um registro brasileiro, nacional, multicêntrico, observacional e longitudinal, com dados de vida real, apoiado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Ele destacou que esses dados são essenciais, especialmente porque há, relativamente, poucos estudos específicos sobre vacinação contra a Covid-19 nesta população.

A pesquisa avaliou 86 adolescentes, entre 12 e 17 anos, com doenças inflamatórias imunomediadas. Entre os diagnósticos mais frequentes estavam doenças como: artrite idiopática juvenil, responsável por 41,9% dos casos, e lúpus eritematoso sistêmico juvenil, presente em 38,4% dos participantes. Entre os 80 adolescentes com informação disponível sobre o grau de imunossupressão, 60% foram classificados como apresentando alto grau de imunossupressão relacionado ao tratamento.

Para os especialistas, os resultados são particularmente relevantes, já que pacientes imunossuprimidos podem apresentar maior preocupação quanto à segurança das vacinas e à capacidade de desenvolver uma resposta imunológica adequada. Os principais achados do estado foram:

  • A vacina apresentou perfil de segurança favorável. Os eventos adversos mais frequentes nos adolescentes foram locais, e não foram observados eventos adversos graves ou com risco de vida.
  • Houve aumento significativo dos níveis de IgG contra a proteína Spike após a vacinação. Após a segunda dose, a soroconversão foi de 97% considerando o grupo geral do estudo. Entre os participantes com avaliação sorológica disponível, 100% apresentavam sorologia reagente após a terceira dose.
  • Em adolescentes com lúpus juvenil e artrite idiopática juvenil, a vacinação não teve impacto significativo sobre a atividade da doença, avaliada respectivamente pelo SLEDAI-2K e pelo PGA.
  • Os adolescentes apresentaram resposta imunológica semelhante à observada nos adultos com doenças inflamatórias imunomediadas.
  • O estudo encontrou altos títulos de anticorpos e altas taxas de soroconversão mesmo em uma população que incluía pacientes com elevado grau de imunossupressão. Na análise multivariada, o grau de imunossupressão não esteve associado aos níveis de IgG após a terceira dose.

Para o Dr. Leonardo, esse é um momento oportuno para o debate sobre o tema, já que atualmente vive-se uma crescente hesitação vacinal. “É particularmente importante termos dados objetivos para conversar com nossos pacientes e suas famílias. O próprio estudo destaca que informações sobre segurança e imunogenicidade nessa população são importantes para embasar a vacinação, reduzir a hesitação vacinal e aumentar a cobertura.”

O estudo está disponível no site Pediatric Research. Link de acesso abaixo.

Immunogenicity and safety of BNT162b2 vaccine in patients with juvenile immune mediated inflammatory disease

Cobertura atual da vacina contra a Covid-19 no Brasil

A baixa cobertura da vacinação contra a Covid-19 na população pediátrica também é um dos desafios do Ministério da Saúde e dos profissionais que cuidam da saúde de crianças e adolescentes.

Os dados atuais mostram que 40% das crianças menores de 5 anos receberem duas doses apenas. Entre 5 e 11 anos, a cobertura sobe para 61,04%, chegando a 85,29% entre adolescentes de 12 a 17 anos.

Já com relação a terceira dose, os números ficam entre 12,66% a 16,39% entre os menores de 5 anos, 24,62% entre 5 e 11 anos e 40,29% entre os adolescentes.

Apesar de apresentar uma melhora conforme a idade aumenta, os dados mostram que o maior problema é na faixa dos 6 meses a 4 anos, que não concluíram o esquema vacinal com pelo menos três doses. Além disso, não há registros de quarta dose nesses grupos.

A SOPERJ destaca também que é preciso ficar atento ao risco de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), doença rara que afeta algumas crianças pós infecção da Covid-19, especialmente aquelas que não foram vacinadas.

Apesar da prevalência não ser tão frequente, alguns estudos mostraram que em 99% dos casos de SIM-P as crianças não foram imunizadas ou não estavam com as doses da vacina em dia. Portanto, os especialistas reforçam que a vacina oferece a proteção necessário contra a Síndrome e aplicada em esquema primário pode ser particularmente benéfica em crianças que nunca tiveram Covid-19.