O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, do inglês Programme for International Student Assessment) consiste em uma avaliação realizada a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a qual tem como público-alvo alunos com 15 anos de idade que estejam matriculados em alguma escola. A OCDE é um organismo internacional, fundado em 1961, com sede em Paris, conhecido como “clube dos ricos”, que tem como foco principal melhorar o bem-estar econômico e social global. Desse modo, de acordo com o entendimento da OCDE, as escolas não são apenas locais onde se aprende conteúdo, mas também espaços de desenvolvimento social e emocional. Essa organização é integrada, em sua maioria, por países democráticos de alta renda e com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Na OCDE existem diversos Comitês que discutem e comparam experiências com o objetivo de adotar, em cada país, as melhores políticas públicas. O PISA é citado com frequência em diferentes publicações, especialmente quando se deseja comparar o desempenho de estudantes brasileiros com aqueles de outras partes do mundo.A avaliação PISA: periodicidade, provas, participantes A edição inicial do PISA foi no ano 2000, seguindo, de forma contínua, a cada triênio. Essa avaliação tem sido realizada nos países membros da OCDE e em países convidados, com uma média de 70 a 80 países participantes em suas diferentes edições. A amostragem por país varia e pode não abranger o país inteiro; por exemplo, a China é representada por três regiões (Macau, Hong Kong e quatro grandes cidades da costa leste). A OCDE cede os computadores para realização das provas, nas quais não são avaliados somente conteúdos, mas também o pensamento crítico (lógica) e a capacidade de raciocínio. As perguntas podem ser abertas, de múltipla escolha, ou para correlacionar e categorizar algo. A cada edição, uma das áreas (leitura, matemática ou ciências) recebe destaque e um peso maior, em relação às outras duas. Por exemplo, em 2022 o foco principal foi na área de matemática e, em 2025, foi na área de ciências. Embora o foco das questões seja voltado para leitura, matemática e ciências, o PISA avalia também o ambiente escolar a partir de três eixos: o senso de pertencimento à escola, a habilidade de superar falhas e o nível de satisfação com a vida. O PISA busca avaliar a capacidade dos alunos em aplicar seus conhecimentos na resolução de problemas do mundo real e propicia uma visão abrangente das habilidades dos alunos nas áreas de leitura, matemática e ciências. A avaliação testa a qualidade do sistema educacional de cada país, oferecendo oportunidade para identificar lacunas (falhas) e promover mudanças na abordagem do ensino, fortalecendo as práticas pedagógicas. Revela também questões ligadas à equidade, ao acesso a recursos educacionais e à qualidade do ensino.No ano de 2025, a avaliação passou a ser totalmente digital e os três eixos principais estiveram relacionados ao tema “sustentabilidade e seus impactos”. Também nesse ano, os resultados passarão a ser fornecidos por estado, em vez de região.Na avaliação do PISA, o ano escolar em que os alunos estão matriculados não é levado em consideração. Entretanto, em 2006, alguns países utilizaram uma amostra de alunos por série escolar, o que possibilitou avaliar a interação entre idade e série.O PISA no BrasilO Brasil foi o primeiro país sul-americano a participar do teste, como convidado, desde a sua edição inicial. O país não é membro efetivo da OCDE, mas iniciou o processo de adesão à organização em 2022. No Brasil, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é o responsável pela seleção dos alunos, que se distribuem entre as cinco regiões do país e estudam em escolas públicas e privadas, tanto das zonas urbanas como rurais. A avaliação do PISA não é obrigatória e é feita, no Brasil, com base em uma amostragem do INEP. O OCDE cede os computadores para realização da prova.Resultados das avaliações PISA no BrasilNa avaliação realizada em 2015, cerca de 12% dos estudantes brasileiros aos 15 anos relatavam insatisfação com a vida, o que realça a importância desse tema.Nessa mesma linha, o PISA 2018 apresentou dados extremamente preocupantes externados pelos alunos brasileiros, tais como: 29% dos estudantes relataram terem sofrido bullying, 41% disseram que a indisciplina encurtava muito o tempo de cada aula, 23% se sentiam muito sozinhos durante o período escolar e 13% deles afirmaram estar sempre tristes na escola.No ano 2022, a avaliação do Pisa foi realizada em 81 países, utilizando ainda o formato híbrido. Nessa avaliação, os resultados obtidos pelos alunos brasileiros pioraram, por conta da pandemia, especialmente nas escolas públicas, devido à dificuldade de acesso à internet. O Brasil ficou no 65º lugar em Matemática, entre o conjunto de países participantes e foi o sétimo entre os países da América Latina. Em leitura, o país ficou no 52º lugar e em Ciências no 62º lugar. Na América Latina, o Brasil ficou atrás de todos os países em matemática e ciências, apenas a frente do Peru em leitura. Até 2022, os resultados da região sul do país eram os melhores. Nessa última avaliação, verificou-se que 35% dos estudantes brasileiros estudavam em escolas com estrutura deficiente e/ou inadequada. De acordo com os dados obtidos, somente 26% desses alunos estudavam em escolas com boa conectividade à rede. Entretanto, não bastava apenas ter os equipamentos necessários e boa conexão à rede para oferecer o ensino remoto, pois os professores precisavam também estar preparados para utilizar essa nova ferramenta. Quase 40% dos alunos da rede pública não tiveram acesso às aulas por ensino remoto.
De acordo com o INEP, atualmente 63% das escolas públicas tem acesso à internet de banda larga; entretanto somente 32% delas tem acesso à internet de banda larga com velocidade adequada ao ensino remoto. Esses dados evidenciam enormes desigualdades educacionais nas diversas regiões do país, acarretando uma baixa motivação dos alunos para aprender e, consequentemente, uma alta evasão escolar.
Diante dos resultados alcançados pelos estudantes brasileiros nas últimas edições do PISA, se tornam urgentes algumas medidas fundamentais para a modificação desse quadro, criando um ambiente escolar prazeroso. Algumas medidas prioritárias consistem em estimular a formação e o aperfeiçoamento dos professores e investir na melhoria do espaço escolar, com o objetivo de possibilitar um clima positivo que favoreça um melhor desempenho dos alunos, assim como o desenvolvimento de suas habilidades sociais e emocionais. Com base nesse cenário, fica clara a importância da atuação integrada da Saúde Escolar com os profissionais da educação e, em alguns casos, de outras áreas sociais, para atender alunos que apresentem dificuldades escolares.A divulgação do resultado do PISA 2025 está prevista para setembro de 2026.
Referências bibliográficas
OECD. Melhores políticas para vidas melhores desde 1960. Disponível em https://www.oecd.org/en/about/history.html. Acesso em 17/07/2026.
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) – Resultados PISA 2018. https://www.oecd.org/pisa/publications/pisa-2018-results.htm. Acesso em 30/09/2020.
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) – Resultados PISA 2015. https://www.oecd-ilibrary.org/docserver/9789264266490-en.pdf. Acesso em 30/09/2020.
PISA 2022 Results (Volume V). Learning Strategies and Attitudes for Life. 2024. Disponível em https://www.oecd.org/en/publications/pisa-2022-results-volume-v_c2e44201-en.html. Acesso em 20/07/2026.
PISA 2022 Results (Volume I and II) Country Notes: Brazil. OECD. 2023. Disponível em https://www.oecd.org/en/publications/pisa-2022-results-volume-i-and-ii-country-notes_ed6fbcc5-en/brazil_61690648-en.html. Acesso em 20/07/2026.
Departamento Científico de Saúde Escolar
Relatores:
Dr. Paulo Cesar de Almeida Mattos
Dr. Joel Bressa da Cunha
Revisão Final:
Dr. Abelardo Bastos Pinto Jr.
