Diretrizes: Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O início de abril é de esclarecimentos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, lembrado em 2 de abril. Para marcar a data, o Departamento Científico de Desenvolvimento e Reabilitação da SOPERJ, presidido pela Dra. Fabiana Ferreira Durão, elaborou um artigo para auxiliar pediatras no diagnóstico e no tratamento de crianças e adolescentes com autismo.

O texto aborda os sinais de alerta, triagem, diagnóstico, avaliação, manejo e intervenção, além das diretrizes oficiais e o papel do pediatra na identificação, no acompanhamento e na orientação de pais e responsáveis.

O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foi criado em 2007, pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é difundir conhecimento sobre o tema, estimular a reflexão e promover ações que reduzam o preconceito, fomentem a inclusão e o respeito, e melhorem o tratamento dessas pessoas. Este ano, o tema da campanha é: “Informação gera empatia, empatia gera respeito.”

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação, na interação social e por padrões repetitivos de comportamento.

O diagnóstico e a intervenção precoces são essenciais para melhorar o prognóstico e promover a qualidade de vida da criança e de sua família.


  1. Sinais de Alerta e Triagem

📌Sinais precoces (até 24 meses):

📌Ausência de sorriso social até os 6 meses.

📌Falta de resposta ao nome até os 12 meses.

📌Ausência de balbucio ou gesto de apontar até os 12 meses.

📌Não pronuncia palavras simples até os 18 meses.

📌Ausência de brincadeira simbólica até os 24 meses.

📌Presença de movimentos repetitivos e hipersensibilidade a estímulos.

Triagem recomendada:

A American Academy of Pediatrics (AAP) recomenda o rastreamento para TEA em todas as crianças entre 18 e 24 meses. O M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-up) é uma ferramenta validada para essa faixa etária e deve ser preenchida pelos pais e/ou cuidadores.

Conduta:

📌Baixo risco: reavaliar nas consultas regulares.

📌Risco moderado: reaplicar o M-CHAT-R/F e monitorar.

📌Alto risco: encaminhar para neuropediatra, psiquiatra infantil ou equipe multidisciplinar.

  1. Diagnóstico e Avaliação 

O diagnóstico do TEA é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem:

  1. Déficits na comunicação e na interação social;
  2. Comportamentos repetitivos ou restritos;
  3. Presença dos sintomas desde a infância;
  4. Impacto funcional significativo.

Ferramentas complementares:

📌 ADOS-2 (Autism Diagnostic Observation Schedule – 2)

📌ADI-R (Autism Diagnostic Interview – Revised)

📌CARS (Childhood Autism Rating Scale)

  1. Manejo e Intervenção 

Tratamento interdisciplinar:

Não há cura para o TEA, mas intervenções precoces e individualizadas promovem melhorias no desenvolvimento.

📌Terapia comportamental / Psicologia: ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é o método com maior evidência científica.

📌Fonoaudiologia: essencial para crianças com dificuldades na comunicação verbal e não verbal. – Terapia ocupacional: focada na integração sensorial e no desenvolvimento de habilidades motoras.

📌Psicopedagogia: para adaptação escolar e suporte à aprendizagem.

📌Psicomotricidade: auxilia no desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais.

📌Medicação: pode ser indicada para comorbidades (TDAH, ansiedade, irritabilidade severa).

  1. Diretrizes Oficiais 

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Ministério da Saúde.

📌Rastreamento obrigatório nas consultas de puericultura.

📌Encaminhamento precoce para avaliação especializada ao menor sinal de alerta.

📌Direito ao atendimento multidisciplinar pelo SUS, incluindo terapias essenciais. – Inclusão escolar garantida pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e pela Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei nº 12.764/2012).

  1. Papel do Pediatra 

📌Identificar precocemente os sinais de TEA.

📌Aplicar triagem sistemática em crianças de 18 a 24 meses.

📌Encaminhar para diagnóstico especializado sem necessidade de aguardar sinais mais evidentes.

📌Orientar os pais sobre o prognóstico e as terapias disponíveis.

📌Acompanhar o desenvolvimento e a inclusão escolar da criança.

  1. Conclusão 

A atuação do pediatra é fundamental para garantir o diagnóstico e a intervenção precoces, favorecendo a adaptação e a qualidade de vida da criança com TEA. Seguir diretrizes atualizadas contribui para um atendimento eficaz e para o suporte adequado às famílias.

Dra. Fabiana Ferreira Durão – Presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Reabilitação da SOPERJ

  1. Referências 

1. American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).

2.American Academy of Pediatrics (AAP). (2020). Identifying and Evaluating Children With Autism Spectrum Disorders. Pediatrics.

3. Brasil. Ministério da Saúde. (2013). Linha de Cuidado para a Atenção das Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e suas Famílias no SUS.

4. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). (2022). Manual de Diagnóstico e Intervenção Precoce no TEA.

5. Robins, D. L., et al. (2014). Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised With Follow-Up (M-CHAT-R/F). Pediatrics.