ORIENTAÇÕES ÀS ESCOLAS NESSE TEMPO DE PANDEMIA

Com escolas fechadas em todo o país, em meio a esforços para diminuir a disseminação do coronavírus, pais e filhos estão se adaptando às novas rotinas. Vejam as orientações do Departamento de Saúde Escolar da SOPERJ.

  • Departamento de Saúde Escolar/ SOPERJ

Márcia de Oliveira Gomes Gil
Abelardo Bastos Pinto Junior
Joel Bressa da Cunha
Olga Oliveira Passos
Paulo Cesar Mattos
Vanessa Beatriz Passos Espíndola

Documentos de orientações para escolas e famílias.

O objetivo desse documento é conjugar olhares da Educação e da Saúde.

Orientações às escolas

O ano de 2020 trouxe inúmeros desafios para a sociedade contemporânea.  Lidar com uma pandemia e seus efeitos nos obriga a pensar em alternativas para questões sociais, especialmente em períodos de distanciamento social. Dentre as diferentes instituições atingidas, nosso olhar e nossa preocupação recaem, principalmente, para a escola e as famílias, entendendo e valorizando a estreita relação entre elas.

Na tentativa de discutir algumas possibilidades, buscamos sintetizar neste documento algumas orientações, considerando as premissas de uma saúde escolar que valoriza os indivíduos e suas relações.

O cenário atual aponta para algumas questões cruciais: como continuar o processo de aprendizagem das crianças? Como garantir o ano letivo? Quais aprendizagens devem ser priorizadas? Como garantir qualidade? Como lidar com as famílias?

Procuraremos apontar alguns caminhos, mas é sempre preciso lembrar que as escolhas feitas pelas escolas precisam levar em consideração as crianças e as famílias, ou seja, precisam ser flexíveis e adaptáveis aos diferentes arranjos familiares e aos diferentes desafios que cada família vive – questões de organização da rotina, situação socioeconômica familiar, acesso a computador e internet, trabalho dos pais (com tempo disponível, home office ou trabalho fora de casa), disponibilidade afetiva e temporal para execução de propostas.

Outro aspecto importante é diferenciar Educação a Distância de Aprendizagem Remota.

Educação a Distância (EAD) é uma modalidade educativa prevista e regulada por Lei. É aplicável apenas em casos emergenciais no Ensino Fundamental e mais comumente encontrada no Ensino Médio e na Educação Superior. Estas prerrogativas se dão, especialmente, por respeito às faixas etárias e às formas de aprender, que se modificam, entre outras coisas, com a ampliação da faixa etária. Há um planejamento de atividades e propostas de acordo com o currículo, salas de bate-papo, fóruns de discussões e outras estratégias que têm por suporte uma plataforma planejada para tanto. Há o planejamento do curso em termos de horas, currículos, avaliações e processos de acompanhamento das aprendizagens via tutoria.

Aprendizagem remota assemelha-se à  EAD apenas pelo uso da tecnologia. Ela segue os mesmos princípios da educação presencial, ou seja, é como se o professor e os alunos estivessem em sala de aula, mesmo não estando. Trata-se mais de uma estratégia emergencial do que uma metodologia. E vem sendo usada emergencialmente, por nossas escolas, na tentativa de manter os processos de aprendizagem.

Temos chamado de EAD o que na verdade é uma estratégia remota de ensino, que requer cuidados na sua aplicação e especialmente no tempo de utilização.

Cabe lembrar que o espaço escolar é rico de aprendizagens para além daquelas consideradas nos livros didáticos. As interações, relações, normas e regulamentos ensinam. É principalmente na escola que as crianças aprendem a lidar com as diferenças, com os valores como solidariedade, empatia, respeito e ética. É também na escola que professores podem acompanhar os processos de aprendizagem dos alunos, buscando mediar as dificuldades e replanejar ações.

Portanto, qualquer alternativa emergencial utilizada nunca poderá substituir a escola. Poucos fatores poderão minimizar tal impacto negativo, e podemos citar a possibilidade de estudantes bem disciplinados obterem boa concentração e bom rendimento nas atividades remotas, quando sua realidade em sala de aula for de ambiente de muita indisciplina entre os colegas. O tempo tende a ser mais bem aproveitado. No entanto, é preciso lembrar aos estudantes o caráter emergencial desta medida, uma vez que todos esperamos o retorno das atividades escolares o mais brevemente possível. Também não haverá, nesse período, episódios de bullying, embora a possibilidade de cyberbullying possa até aumentar.

Admitimos que haverá um retrocesso na trajetória de aprendizado dos estudantes e estratégias deverão ser pensadas para que as defasagens sejam recuperadas, com esforços adicionais. Infelizmente, podemos supor que serão acentuadas as diferenças já existentes no sistema atual entre os estudantes, famílias e escolas mais favorecidos em relação aos menos favorecidos.

Da mesma forma, fica ainda mais prejudicado o acolhimento das crianças ou adolescentes com dificuldades escolares em geral e as incluídas no Atendimento Educacional Especializado, em particular. Para tais situações, escolas deverão buscar estratégias alternativas, que atendam às necessidades específicas de cada aluno, assegurando o direito de todos à Educação.

Ao focar nas aprendizagens, escolas devem atentar  para as Competências Gerais descritas na Base Nacional Comum Curricular, que deverão ser desenvolvidas por todos os estudantes ao longo da Educação Básica. São elas: Conhecimento, Pensamento científico, crítico e criativo, Repertório cultural, Comunicação, Cultura digital, Trabalho e projeto de vida, Argumentação, Autoconhecimento e autocuidado, Empatia e cooperação e Responsabilidade e cidadania. Assim, ao elaborar suas propostas, as escolas precisam focar nos conteúdos, mas também no desenvolvimento dessas competências em cada aluno. O mesmo pode ser feito explorando  projetos que envolvam as competências em suas mais variadas possibilidades, de acordo com a etapa educativa e a realidade socioeconômica de cada um. É preciso também, que seja mantida coerência entre as atividades propostas e a proposta  pedagógica original de cada instituição.

Outra questão importante é repensar como se dará a avaliação das crianças, em suas diferentes etapas educativas. É preciso considerar a avaliação como um elemento para favorecer as aprendizagens e não  apenas como um parâmetro de medida, classificatório. Assim, ao longo de todo o processo de aprendizagens remotas, é necessário que escolas, professores, alunos e famílias estejam cientes dos objetivos a serem alcançados, para que, juntos, na medida do possível, possam criar estratégias para atender a cada aluno e suas necessidades. É tempo de substituirmos avaliação classificatória por avaliação formativa, ou seja, abrir mão de notas em conceitos em prol de acompanhamento dos processos de aprendizagem. No retorno das aulas, as lacunas existentes poderão, então, ser paulatinamente preenchidas.

Para tanto, o diálogo franco e aberto com as famílias é fundamental.

  • Educação Infantil

Há grandes desafios para esta etapa educativa, que atende às crianças de 0 a 5 anos de idade, cujos eixos do trabalho pedagógico são as interações e as brincadeiras. Como realizar atividades remotas?  O que considerar como aprendizagens? Como orientar os professores, em sua maioria, pouco acostumados ao uso da tecnologia com fins didáticos?

São muitas as dúvidas, para as quais temos algumas sugestões:

1- Considere o currículo. Desde 2017 temos uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que aponta as aprendizagens essenciais para as crianças. Ela apresenta direitos de aprendizagem e desenvolvimento –  conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.

2- Adapte as atividades do planejamento pedagógico para apresentação na nova tecnologia. Procure incluir elementos visuais e sonoros presentes na escola para maior aproximação e vínculo ao ambiente já conhecido. Evite rupturas muito grandes em relação às atividades e aos projetos e propostas que já vinham sendo abordados.

3- Inclua todos os campos de experiência do currículo (O Eu, o Outro e o Nós, Corpo e Movimento; Traços, Formas, Cores e Sons; Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação; Espaço, Tempo, Quantidades e Relações)  sem priorizar as atividades mais “escolarizadas” em detrimento de brincadeiras, atividades com o corpo e outras.

4- Atividades de leitura e escrita merecem atenção especial, pois estão atreladas a abordagens específicas, que podem ser desconhecidas pelo familiar, podendo sua interferência ser prejudicial à construção do conhecimento a partir da atividade proposta. Explore, neste momento, leituras literárias conjuntas, privilegiando discussões sobre os personagens, as imagens, os sentimentos e valores envolvidos em cada história. Incentive a escrita espontânea, sem preocupações com questões ortográficas, já que na Educação Infantil, a proposta é aproximar a criança do mundo escrito, estimulando-a a relacionar as letras de palavras a seus sons.

5- Proponha atividades onde as crianças possam expressar o que sentem através de desenhos, pinturas e modelagem. Conversar sobre o momento vivido é importante.

6- Aproxime as propostas escolares das atividades domésticas cotidianas, sempre que possível. Há muitas aprendizagens na realização conjunta de receitas culinárias, por exemplo. Explore, especialmente, aquelas que não exijam o uso de fogão ou outro eletrodoméstico perigoso. Explorar sabores, formas, texturas pode ser uma divertida experiência culinária.

7- Incentive as crianças, especialmente na faixa etária de 4 e 5 anos (pré-escola) a criarem projetos individuais sobre coisas que queiram aprender. Vale desde saber mais sobre um super-herói até observar as flores crescendo. O que importa é que estejam interessadas.  Sugira a criação de um roteiro simples para o projeto, com perguntas como: O que quero saber? Como farei para saber? Onde e como registrarei o que aprender? Valem desenhos, fotos digitais, pequenos vídeos, relatos. Peça ajuda aos familiares para a execução dessa proposta. Crie um calendário com as crianças e famílias para acompanhar os projetos.  As temáticas também  podem ser sugeridas pela professora, desde que contemplem a curiosidade das crianças. Nesse caso,  todas as crianças aprenderão sobre a mesma temática.

8- Explore livros animados, grupos cancioneiros infantis,  de folclore e outras manifestações artístico-culturais disponibilizadas em sites como YouTube Kids, utilizando este momento para ampliar o universo cultural das crianças.  Escreva as letras das canções ou explores as manifestações, trabalhando os Campos de Experiência de forma intercomplementar.

9- Explicite para os pais os objetivos pedagógicos das atividades, tornando-os parceiros dos processos de aprendizagem.

10- Valorize a manutenção dos vínculos afetivos entre crianças, famílias, escola, professores e colegas de turma. Especialmente na Educação Infantil, a afetividade é elemento alavancador de aprendizagens e desenvolvimento e, portanto, precisa ser cultivada.

Ensino Fundamental

Considere o currículo. Desde 2018  temos uma Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Fundamental (BNCC), que aponta as aprendizagens essenciais para as crianças. Ela apresenta as áreas de conhecimentos e os componentes curriculares a serem desenvolvidos, assim como as habilidades que precisam ser construídas pelas crianças.

Nessa etapa educativa, dividida em anos iniciais e anos finais, aparecem as necessárias aprendizagens relacionadas a conteúdos. O trabalho pedagógico precisa considerar as diferentes faixas etárias compreendidas, bem como os  materiais específicos para alguns componentes. Ressaltamos a importância da valorização de todo  conteúdo escolar, sem esquecer de componentes como Arte e Educação Física, vitais para o desenvolvimento integral de cada aluno.

  • Anos Iniciais do Ensino Fundamental

1- Considere que as aprendizagens remotas se dão de forma diferente das presenciais, tanto em ritmo quanto em processo. Dê mais tempo para as crianças se apropriarem do conhecimento, apresentando-o de forma clara e o mais simples possível. Foque nas aprendizagens essenciais, deixando para depois o refinamento e o aprofundamento das questões.

2- Evite determinar muitas tarefas de casa. Lembre-se que a “aula” já está acontecendo em casa. As tarefas de fixação não deverão tomar muito tempo das crianças e famílias, apenas o suficiente para mantê-las em contato com as aprendizagens iniciadas.

3- Mantenha as crianças curiosas. Ofereça atividades pedagógicas criativas e estimulantes. Crie projetos de investigação que permitam às crianças levantar hipóteses, pesquisar e criar, tirando-as da passividade frente à tela, como única estratégia de aprendizagem.

4- Não abra mão de materiais concretos para aprendizagens matemáticas. Construa com as crianças  Material Dourado de cartolina, por exemplo. Tampas de garrafa também são excelentes materiais para contagem.

5- Para processos de alfabetização, explore textos significativos, envolvendo as crianças em processos de leitura e escrita. Sugira a criação de “alfabetários” temáticos (ex: brinquedos, doces, nomes…), de lista de compras para casa, lista de desejos e outras.  Jogos de memória com sílabas ou palavras, letras móveis, caça palavras, dominós de números e letras,  também são boas estratégias de manter as crianças em contato com palavras, letras e sons.

6- Disponibilize livros e outros portadores de texto, muitas vezes mostrados em vídeo pelo professor, em arquivo (pdf, PowerPoint) para possibilitar leitura em outros momentos.

7- Inclua sugestões de livros que: a) possam ser facilitadores no diálogo entre pais e filhos e sirvam como instrumento de suporte para compreensão e enfrentamento da situação vivida (mudança na vida familiar e escolar); b) possam ser facilitadores na comunicação entre criança e família sobre suas emoções. (VER ANEXO)

8- Sugira a criação de um Diário de Bordo  pelas crianças, onde poderão ser escritos os sentimentos e as descobertas e aprendizagens realizadas a cada dia. É uma forma de estimular a escrita e de permitir que as crianças pensem sobre o que aprendem e vivenciam.

9- Mantenha contato com os familiares, criando canais de diálogo para dirimir dúvidas e trazer tranquilidade quanto às aprendizagens e o processo de continuidade das mesmas.

10- Quanto mais jovem o estudante, maior deve ser a mediação das famílias, incluindo irmãos mais velhos, na condução das atividades propostas pela escola. Nesse quesito é importante considerar que será necessário um tempo para o familiar conhecer o conteúdo e atividades, para poder auxiliar o estudante. Explicite os objetivos pedagógicos da atividade para garantir um melhor aproveitamento, ao ser mediada por pessoas sem formação pedagógica.

11- Valorize a manutenção dos vínculos afetivos entre alunos, famílias, escola, professores e colegas de turma. A afetividade é elemento alavancador de aprendizagens e desenvolvimento e, portanto, precisa ser cultivada.

  • Anos Finais do Ensino Fundamental

1- Procure mapear o envolvimento dos estudantes e de suas famílias durante o tempo de distanciamento social e interrupção das aulas presenciais. Novamente, será possivelmente mais fácil contatar os que já dispõem de melhores condições de acesso à internet e telefone. O objetivo é identificar com antecedência aqueles que participaram regularmente das atividades propostas  e aqueles que tiveram grandes dificuldades e que certamente precisarão de mais atenção na volta às aulas.

2- Como sugestão, crie uma tabela com os objetivos de aprendizagem de cada componente curricular para o período. Disponibilize para as crianças, para que elas possam autoavaliar-se ao longo das aulas remotas.

3- Crie pequenos vídeos que possam ser acessados pelos alunos em qualquer tempo, com reprises e explicações sobre temáticas já trabalhadas.

4- Disponibilize exercícios extras para que os alunos testem suas aprendizagens. Não utilize esse material como forma de avaliação, mas sim, como incentivo para a continuidade das aprendizagens.

5-  Incentive processos de colaboração entre os alunos. Por exemplo, disponibilize um desafio ao final de cada dia, para que seja solucionado em grupo. Os alunos poderão discutir a situação desafiadora via Zoom ou outra plataforma, WhatsApp ou outro aplicativo, construindo, coletivamente, respostas. Explore as hipóteses e caminhos utilizados para resolução, para além dos resultados finais.

6- Aproveite o momento e convide as crianças e suas famílias a criarem projetos de solidariedade. A turma poderá se organizar para, por exemplo, doar sabonetes para comunidades carentes.  Entidades como a União Rio, ou outras de conhecimento da escola e familiares, poderão ser acionadas para esse fim.

7- Outra forma de solidariedade poderá ser estimulada  por meio de auxílio a colegas com dificuldades em alguma disciplina ou conteúdos, mesmo a distância.  .

8- Explore jogos e outras atividades lúdicas, como forma de tornar as aprendizagens mais leves.

9- Proponha investigações, de forma a tornar o aluno um pesquisador e não um mero espectador de aulas.

10- Valorize a manutenção dos vínculos afetivos entre alunos, famílias, escola, professores e colegas de turma. A afetividade é elemento alavancador de aprendizagens e desenvolvimento e, portanto, precisa ser cultivada. Essa atitude favorece a manutenção do sentimento de pertencimento a um grupo e a uma instituição, e permite aos alunos entenderem esse momento como exceção, e não como regra.

  • Ensino Médio

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) será adiado. As questões das provas já estão prontas desde antes da pandemia, mas ainda não foram totalmente selecionadas. Nesse caso, há possibilidade de evitar questões que abordem temas que fazem parte do currículo do terceiro ano. Os estudantes que estão no último ano do ensino médio se sentem prejudicados, pois provavelmente haverá uma lacuna em termos de conteúdo. A escola deve ser bem criteriosa para atender ao currículo (BNCC) nas aulas programadas para aprendizagem remota e nos cursos de Ensino a Distância já existentes.

É dito que o prejuízo causado por um período sem aulas presenciais é igual para todos os alunos. Na prática, não é. A situação penaliza as escolas e os estudantes menos favorecidos em termos econômicos e de acesso a tecnologias. A  orientação da escola deve ir no sentido de incentivar o esforço pessoal e a dedicação individual do estudante, na medida do possível. Muita dedicação com pouco recurso pode compensar a oferta de recursos disponíveis para um estudante que não se esforça.

1- Organize e deixe claros os horários das aulas para os alunos.

2- Disponibilize canais de comunicação, nos quais os alunos possam tirar suas dúvidas.

3- Disponibilize materiais extras, especialmente para os alunos em conclusão da etapa, buscando ampliar os conhecimentos construídos.

4- Crie desafios semanais temáticos. Podem ser questões mais elaboradas e difíceis, que envolvam várias áreas de conhecimento.

5- Incentive os alunos a escreverem e lerem, com sugestões de títulos literários. Apresente relação de vídeos atrelados a conteúdos. Lembre sempre a importância da redação no ENEM.

6- Crie momento de trocas e debates sobre temáticas sociais, utilizando aplicativos como o Zoom.

7- Mantenha diálogo permanente com as famílias, mantendo-os informados dos processos de aprendizagem e também das decisões relativas ao ENEM.

8- Incentive os estudantes a se engajarem em projeto sociais de solidariedade.

9- Estimule os estudantes a se autoavaliarem, utilizando ficha com os objetivos de aprendizagem. Disponibilize materiais extras sempre que o aluno sentir necessidade de ampliar seus conhecimentos.

10- Valorize a manutenção dos vínculos afetivos entre alunos, famílias, escola, professores e colegas de turma. A afetividade é elemento alavancador de aprendizagens e desenvolvimento e, portanto, precisa ser cultivada. Essa atitude favorece a manutenção do sentimento de pertencimento a um grupo e a uma instituição, e permite aos alunos entenderem esse momento como exceção, e não como regra, especialmente nesse momento em que o distanciamento tende a ser mais dificilmente vivenciado por adolescentes, tendo em vista as características próprias da faixa etária.

O RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS

Não temos ainda clareza das ações que serão necessárias para o retorno à escola. Estima-se que mudanças acontecerão e deverão ser feitas,  acordadas por todos os envolvidos e cumprindo dispositivos legais.

Assim, sugerimos calma e planejamento. É preciso pensar alternativas  que estejam de acordo com as diferentes realidades de escolas, professores, alunos e famílias.

  •  Considere a necessária realização de avaliação diagnóstica em todos os alunos. Tal medida não deverá ter como foco medir ou conceituar os alunos, mas localizar as possíveis falhas do processo de aprendizagem, buscando, a partir daí, minimizá-las e corrigi-las. Se, durante o processo remoto, o professor tiver recolhido informações sobre a trajetória dos alunos, elas ajudarão a orientar a continuidade das aprendizagens.
  • Esse é o momento ideal para escolas pensarem sobre o currículo e as aprendizagens vitais, aproximando as famílias dessa discussão. Com certeza, sairemos todos modificados dessa situação, teremos aprendido novas formas de relacionamento e olharemos para a vida de outra forma. Tais aspectos não podem passar despercebidos pela escola, já que a existência dessa instituição está diretamente relacionada com a sociedade.
  • Questões sanitárias deverão ser definidas pelas autoridades locais e seguidas fielmente pelas instituições.
  • Cuidados redobrados deverão ser tomados na Educação Infantil, tendo em vista a idade das crianças e a maior dificuldade na adequação das regras sanitárias.

Quando ocorrer o retorno às aulas presenciais, todos os envolvidos nessa nova situação (escolas, professores, pais e alunos) precisarão entender que as atividades curriculares não serão retomadas no mesmo ponto em que  se encontravam quando iniciou a paralisação.

Outra questão importante é que essa interrupção, por maior que sejam os esforços, trará reflexos para os próximos anos.

Dessa forma, as escolas precisarão preparar-se para enfrentar alguns desafios, tais como:

– fazer o acolhimento emocional de alunos e professores;

– rever o planejamento curricular;

– buscar soluções para minimizar a enorme desigualdade educacional entre os alunos;

–  identificar e dar suporte aos alunos com mais propensão ao abandono /evasão.

Mais do que nunca, Educação e Saúde precisam estar juntas, numa ação verdadeiramente intersetorial, buscando as melhores soluções,  relações e  garantindo os processos  efetivados na escola.

ANEXO

1 – Sugestões de temas/ livros : “Essa dor tem outro nome” (Maria José de Serra) – para lidar com emoções;” A casa preta” (Fátima Geovanini) – para situação de luto vivida pela criança.

2 – Nestes links a seguir há alguns livros que podem propiciar aos pais abordarem sentimentos de seus filhos neste momento https://mobile.twitter.com/unicefbrasil/status/1244653535746306051?s=12

https://youtu.be/4o7xB5C67KE

https://m.huffpostbrasil.com/2016/10/12/18-livros-infantis-para-falar-de-emocoes-com-os-seus-filhos_n_12358724.html