Orientações para escolas e famílias

Pais e filhos estão se adaptando às novas rotinas impostas pela pandemia de coronavírus, com os esforços para diminuir sua disseminação. Vejam as orientações do Departamento de Saúde Escolar da SOPERJ.

Departamento de Saúde Escolar/ SOPERJ

  • Suely Kirzner   e   Abelardo Bastos Pinto Jr
  • Joel Bressa da Cunha
  • Márcia de Oliveira Gomes Gil
  • Olga Oliveira Passos
  • Paulo Cesar Mattos
  • Vanessa Beatriz Passos Espíndola

 O objetivo desse documento é conjugar olhares da Educação e da Saúde.

Orientações às famílias

Com escolas fechadas em todo o país, em meio a esforços para diminuir a disseminação do coronavírus, pais e filhos estão se adaptando às novas rotinas e fazendo o possível para se adaptar e/ou superar da melhor forma a nova realidade.

Um dos desafios dessa pandemia é o fato de que as pessoas podem transmitir o vírus, mesmo sendo assintomáticas, principalmente as crianças. A respiração regular pode disseminar a Covid-19 no período de incubação, que pode ser superior a uma semana até o início dos sintomas (em geral tosse, febre e falta de ar), o que justifica o afastamento social externo.

Por essa razão, as aulas foram suspensas em quase todas as localidades nacionais e internacionais, como forma de prevenir a disseminação extrema do vírus.

As famílias devem, portanto, seguir com cuidados para permanecerem em segurança e saudáveis durante a pandemia de COVID-19 e garantir estratégias que promovam para as crianças atividades físicas e brincadeiras como forma de garantir saúde mental, além da preservação educacional.

Converse com as crianças sobre o novo vírus e sobre os cuidados que são necessários para nos mantermos longe dele. Explique a necessidade de isolamento neste período, até mesmo dos avós e parentes mais idosos. As ligações por meios eletrônicos podem ter efeitos benéficos numa via dupla, mantendo a família em contato permanente.

Expresse que você e familiares estão fazendo todo o possível para garantir que elas fiquem seguras e saudáveis e principalmente que tudo isso vai passar. Evite assistir a noticiários alarmantes com imagens inapropriadas.

Pais profissionais de saúde merecem maior atenção tendo em vista estresse prolongado e jornadas de trabalho fatigantes, lidando com ansiedade, depressão e resultados não exitosos, além de estarem diante dos efeitos diretos da pandemia como o luto e desorganização familiar.

Os adultos podem informar às crianças que elas também podem ajudar nessa caminhada, lembrando-as das novas boas maneiras ao tossir ou espirrar no cotovelo ou em um lenço de papel e jogá-lo fora de forma segura no lixo.  Novas formas de cumprimento social podem ser testadas de forma lúdica, como o toque de cotovelos ou calcanhares. O diálogo com os filhos deve ser constante e aberto, para que possa transmitir segurança.

Outra questão importante diz respeito à lavagem das mãos. É preciso ensinar e insistir que lavem as mãos com sabão adequadamente por 20 segundos. Isso pode e deve ser feito de uma maneira lúdica, especialmente para crianças pequenas, por exemplo, criando canções específicas ou cânticos, lembrando que o tempo de lavagem precisa ter a mesma duração da música a ser escolhida, por exemplo: cantar “Parabéns para você” duas vezes.

As entregas de compras devem receber o mesmo cuidado. Se em algum momento saírem de casa, devem usar máscaras. Vale lembrar que máscaras não são indicadas para crianças abaixo de 2 anos e nem devem ficar ao seu alcance.

Crianças e adolescentes precisam de rotinas regulares dentro do possível, durante a semana, tentando se assemelhar ao horário da escola, já que muitos têm aulas remotas, porém sem impor a carga horária integral.

Se eles tiverem trabalhos escolares, determine períodos de tempo para tais trabalhos, com intervalos para descanso e também realização de um lanche saudável.

Vale lembrar ainda que a pandemia, ao alterar de maneira abrupta a rotina escolar e ócio familiar, pode trazer alterações de humor e interesse também da criança e adolescente, bem como do adulto.  A criança também capta e percebe preocupações e sentimentos não verbalizados pelos seus familiares. Por isso se faz necessário observar e estar atento e sensível ao comportamento das crianças e adolescentes. E caso seja necessário, altere a rotina ou ocupe até mesmo o tempo da tarefa escolar com uma música, uma conversa, um filme ou outra atividade. Isso ajuda a enfrentar melhor uma nova situação experimentada ou verbalizada pelo filho. Lembre-se que a saúde mental também deve ser cuidada.

Durante o período de aprendizagem remota, mantenha contato com a escola, informando os progressos e, principalmente, as dificuldades encontradas, de forma objetiva, permitindo aos professores fazerem ajustes nos vídeos e materiais enviados, no sentido de corrigir os problemas apontados. Cabe às professoras lerem as anotações das crianças no curso da aula e que podem representar uma crítica saudável ao trabalho em desenvolvimento já que expressam o que estão sentindo e um excelente meio de indiretamente avaliar o andar das aulas.

Entendendo que o todo ambiente é um espaço permanente de formação em que a prática educativa consiste na aquisição e interiorização de valores e comportamentos, nesse momento, a casa de cada criança e de cada adolescente se torna um espaço privilegiado de convivência e aprendizado.

É fundamental que a família e a escola (professores) desenvolvam mecanismos que estimulem a adesão voluntária das crianças e dos adolescentes, sem pressão demasiada. Dessa forma, a participação deles precisa ser prazerosa e não um fardo entediante.

É, via de regra, o aumento de tempo de exposição à tela o que nos obriga a maior atenção na segurança das mensagens, chamadas de vídeo e troca de informações. A maioria dos aplicativos dispõe de regras definidas com quem compartilhar som e/ou imagem, entretanto a supervisão e orientação dos pais torna-se necessária. Como também nos momentos de lazer, dada à maior disponibilidade de tempo, estabelecer horários se faz necessário.

A violência doméstica tem preocupado e deve ser preservado ambiente de paz e harmonia familiar, evitando discussões acaloradas e atitudes de enfrentamento físico.

A atividade física pode ser compartilhada, quando possível, com aulas virtuais, de preferência em grupo ou só com a família.  Sugerimos período diário de uma hora para essa prática, que pode incluir também dança e outras variações aeróbicas.

Acidentes domésticos podem ocorrer por atividade excessiva, falta de controle, espaço reduzido e inabilidade; intoxicações exógenas por disponibilidade de medicamentos ao alcance das crianças. Atenção redobrada as áreas externas com piscinas, muros, escadas, janelas e locais anteriormente desconhecidos. Armas devem ser cuidadosamente guardadas.

Momentos de relaxamento devem estar programados além de leitura, cinema, música, pintura entre outros.

Crianças e adolescentes podem usar esse intervalo para mergulhar em interesses para os quais talvez não tivessem tempo anteriormente. Incentive-os a aprender algo novo, interessante, ou cultivar um hobby ou habilidade.

A brincadeira é uma maneira importante de manter um senso de normalidade para seus filhos e de promover o bem-estar emocional. Passe algum tempo brincando com eles.

A alimentação vai demandar cuidados extras no papel da família em influenciar hábitos saudáveis exemplificando isso na rotina familiar. Já se observa aumento da obesidade em decorrência das limitações da pandemia e aumento da ingestão alimentar decorrente de ansiedade, stress e tédio. É um bom momento para interagir com a criança em fazer cardápios saudáveis com sua participação ativa e colaboração como verdadeiro chefinho gourmet.

O sono é fundamental para manutenção do estado imunológico além da alimentação, lazer, atividade física e vacinas em dia que não devem ser postergadas. Não se deve alterar a rotina antes imposta.

O contato com o pediatra/hebiatra é mandatório para dirimir dúvidas e receber informação sobre saúde, prevenção e alternativas de tratamento.

A fonte de informação deve ter selo de garantia: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria e seu pediatra.

Maio / 2020