Alerta à população sobre tratamentos hormonais inapropriados na infância

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE), fizeram um alerta à população sobre a disseminação na internet de informações falsas e recomendações inapropriadas de tratamento hormonal na infância e adolescência.

Em nota, as Sociedades buscaram esclarecer sobre o tema e desmentir uma “epidemia” de micropênis, que vem sendo difundida nas redes sociais. Elas destacaram que a informação, muitas vezes, vem acompanhada de terapias sem qualquer comprovação científica, que colocam em risco a saúde, não só física como mental, de crianças e adolescentes.

O micropênis é uma condição clínica rara e seu diagnóstico é complexo. Os especialistas ressaltam que o problema requer uma avaliação minuciosa por uma equipe multidisciplinar (pediatras, urologistas, endocrinologistas, geneticistas etc), que vai além da medição do órgão genital. É preciso uma avaliação clínica detalhada, incluindo exame físico adequado por profissional treinado, com técnica precisa, análise do histórico de saúde da criança, avaliação do desenvolvimento puberal e, quando indicado, exames laboratoriais e genéticos.

Outra preocupação destacada no documento é o uso de hormônios sem indicação na população pediátrica. Os médicos alertam que tratamentos hormonais na infância são restritos a casos específicos, com uma avaliação minuciosa dos especialistas. Sem necessidade, eles podem trazer danos graves e irreversíveis à saúde da criança.

O Departamento Científico de Endocrinologia da SOPERJ, presidido pela Dra. Renata Szundy Berardo, também chama a atenção para uma outra preocupação. Segundo o DC, o uso de hormônios ou substâncias ergogênicas em crianças e adolescentes com objetivo de aumentar performance em atletas, abre um perigoso precedente para abuso de substâncias tais como anabolizantes e outras formas de dopagem e é passível de punições e sanções pelas autoridades competentes.

A nota é uma ação das Sociedades para orientar a população e sensibilizar os órgãos competentes, como Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Ministério Público.

A SOPERJ se junta às entidades para reforçar o pedido de investigação de condutas médicas inapropriadas em prol da preservação da saúde e bem-estar de crianças e adolescentes.

O documento pode ser acessado no link: Nota conjunta – Tratamentos hormonais inapropriados na infância.