Pesquisa UNICEF: Exploração sexual facilitada pela tecnologia

Uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros, de 12 a 17 anos, foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia no período de um ano. O dado equivale a cerca de 3 milhões de jovens e integra o relatório “Disrupting Harm in Brazil, divulgado pelo UNICEF Innocenti recentemente, em parceria com a ECPAT International e a INTERPOL, com financiamento da Safe Online.

Segundo os números apresentados, a violência sexual mediada por ambientes digitais já é uma realidade expressiva no país e ocorre, na maioria das vezes, por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online. De acordo com os dados, em 66% dos casos relatados, o crime aconteceu nesses canais, com destaque para plataformas como Instagram (59%) e WhatsApp (51%).

A pesquisa mostra, também, que a forma mais comum de violência identificada foi a exposição a conteúdo sexual não solicitado, que atingiu 14% dos entrevistados. O levantamento ainda chama atenção para o perfil dos agressores: em quase metade dos casos (49%), eles eram conhecidos das vítimas, o que evidencia a complexidade das dinâmicas de abuso, frequentemente marcadas por relações de confiança e proximidade.

Outro dado relevante é o silêncio das vítimas. Em 34% dos casos, crianças e adolescentes não contaram a ninguém sobre a violência sofrida, tendo como principais motivos a falta de informação sobre como buscar ajuda (22%), o constrangimento (21%) e o medo de não serem acreditados (16%). Desconhecimento sobre canais de denúncia (18%) e ameaças por parte dos agressores (17%) também foram citados.

O relatório também aponta o uso crescente de tecnologias emergentes no cometimento dos crimes, no qual cerca de 3% dos entrevistados relataram que imagens ou vídeos com conteúdo sexual foram criados com o uso de inteligência artificial a partir de sua aparência, reforçando o alerta sobre novas formas de violência digital.

Embora não haja diferenças significativas por escolaridade ou local de residência, o estudo indica maior vulnerabilidade em contextos de dificuldade econômica. Em um ano, 5% das vítimas relataram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens íntimas, e 3% foram alvo de propostas para encontros presenciais com finalidade sexual.

O relatório pode ser lido na íntegra no link Relatórios Disrupting Harm Brazil 2026, com opções de download do pdf em inglês ou português.

Trilha da SOPERJ amplia debate

Os dados do  “Disrupting Harm in Brazil” dialogam diretamente com a iniciativa da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ), que iniciou este ano uma trilha de publicações em seu perfil no Instagram (@soperjrj) voltada a temas essenciais, e muitas vezes invisibilizados, na prática pediátrica.

A proposta amplia o olhar sobre a saúde de crianças e adolescentes, abordando não apenas aspectos clínicos, mas também fatores relacionados à proteção e aos determinantes sociais. Com participação de especialistas de seus departamentos científicos, a série já discutiu temas como violência na infância, em casa e na escola, sinais de alerta, a importância da notificação dos casos e de ensinar as crianças a se protegerem.

Acompanhe os debates sobre esse e outros temas nas redes sociais da SOPERJ.